7 DICAS PASSO A PASSO DE COMO COMPOR UMA MÚSICA POPULAR, SEM NHÉM NHÉM NHÉM!!!



Neste post eu vou dar 7 dicas matadoras de como compor uma música popular sem você nunca ter feito uma música antes.

Já imaginou ter um passo a passo incrível para você poder compor sua música do ZERO?

Só que não vou ficar dizendo aqui coisas óbvias, do tipo: você precisa guardar suas ideias (é óbvio que precisamos guardar!), ou que você precisa ter inspiração... ora ora ora...



Por isso coloquei no título “sem nhém, nhém, nhém...” rsrs

E quero te explicar sem que você precise entender de harmonia, ou algo mais sofisticado, e sim usar apenas sua imaginação e sua intuição, tal como eu mesmo compus minhas primeiras músicas.

É claro que entender de harmonia, formas, e outras teorias musicais e técnicas te ajudarão BASTANTE!

Exatamente o que eu disse: TE AJUDARÃO BASTANTE!

Esse artigo (post) é para te dar uma base para você começar a pensar como compositor.

E quero que você tenha a possibilidade de começar ainda hoje. Pelo menos começar o seu rascunho, tal como eu fiz com minha primeira música: Het Puma.

Assim, para explicar como compor uma música popular, eu separei o texto em dois grupos: Planejamento e Prática.

Só que você quer ver logo as dicas sem enrolação, né?

Então lá vai:

O Planejamento (recomendado, mas é opcional):
  1. Pense no Assunto que quer tratar, dizer na sua música;
  2. Pense na Estrutura, na Forma Musical (qual é a mais usada no estilo que você quer compor?);
A Prática (para a letra e para a música):
  1. Escreva palavras ou frases sobre o Assunto escolhido (item 1);
  2. Melhore suas palavras e frases com Metáforas, Sinônimos, ou Formas de Oração;
  3. Veja as palavras ou frases que já trazem alguma sonoridade ou melodia nela;
  4. Você pode começar cantando as frases acima (item 5) inventando uma melodia, ou ache uma melodia criando uma harmonia (veja o item 7). Tanto faz a ordem;
  5. Crie uma progressão harmônica para encaixar na sua letra e melodia. Ou faça com que essa progressão indique uma possível melodia.

Essas dicas seguem como um passo a passo para você criar e fazer sua música!

Porém, não existe fórmula mágica, pois cada música é uma música, e existem diversos processos de criação. Inclusive escrevi um texto aqui para depois você ler: “Existe um modo errado de se compor?”. Leia depois.

Muitas vezes o iniciante quer um processo básico, um passo a passo inicial, para se sentir seguro e mais confiante em começar.

“Precisa ter Inspiração?  Não a espere. Faça-a vir até você!!!”

É assim que eu faço, e é assim que eu quero que você faça. Não espere a inspiração, comece agora mesmo a compor sua música.

O que posso te entregar aqui são dicas que eu costumo usar frequentemente, e se funciona para mim, certamente funcionará para você.

Algumas são dicas aparentemente mais subjetivas, mas outras são realmente práticas, para você começar a colocar em prática e extrair uma nova composição “do nada” e assim você poder começar a pensar como um compositor!

No final deste post, há mais algumas dicas e recomendações. Por isso, é bom ler até o final.

Agora, vamos ao detalhamento de cada uma delas.

1) QUAL O ASSUNTO, TEMA, ABORDAGEM, CLIMA E ATMOSFERA QUE VOCÊ QUER PASSAR?


Já parou para pensar que toda música tem um assunto específico? E tudo gira em torno deste assunto, ou de um tema?

Pode ser de um amor platônico, de um amor impossível, de uma pessoa que não está nem aí para alguém em especial, de você desdenhando de seu ex (isso não é legal, né?!), de uma viagem louca, do que consigo com meu carro, sobre política, sobre minha vida frustrada, sobre como estou feliz com meu novo amor, enfim.... tantas e tantas coisas como ideias.

E é bem verdade que algumas músicas podem ter mais de um assunto, ou até mesmo um assunto não muito específico... Mas isso é muito, muito raro, e não é legal começarmos assim. A não ser que você esteja mais preocupado em realizar sua primeira música sem se importar com um assunto, a título de experimentação e teste. Daí vale a pena sim!

Aliás, se tiver dificuldade em achar um assunto, ou, se por acaso, você seguir o plano abaixo e fugir do seu assunto, não tenha receio, pois o que mais vale no início é a experimentação e avançar nas etapas, independente do resultado.

Voltando ao nosso planejamento, para achar um assunto e um tema, pense no seguinte:
  • Qual o propósito da sua música?
  • Onde e para quem você gostaria que ela fosse tocada?
  • Qual o assunto e tema que você queira abordar?
  • Pode ser escrito em uma frase? Então escreva essa frase.
Escute músicas que já tenha algo parecido e veja o que foi feito para se alcançar e dizer sobre o tema/assunto.

Como sugestão, você pode pegar uma letra de uma música e decifrar por você mesmo qual foi o assunto tratado. Será um excelente exercício para você começar.

Para compor sua música, é bom você preparar o terreno antes com essa dica, aliás, preparar a sua mente para o que você vai compor.

Você precisa disso? Claro que não!

Mas isso ajuda o seu cérebro a começar a pensar em algo a ser criado por você.

Minha primeira música que criei, aos 8 anos de idade, foi de um jeito muito louco!

Já contei isso em alguns posts com mais detalhes.

Resumidamente, eu estava indo, num dia ensolarado, para a praia com minha mãe.

Estava querendo compor minha primeira música, e tinha uma intenção forte em querer criar, mas não sabia nem como, e nem o que criar.

Íamos de ônibus, quando eu perguntei à minha mãe “Mãe, como se faz uma música?”, ela, de um modo genial, simplesmente disse: “Sei lá, você pensa e canta!”. rsrs

Por mais simples que seja, funciona!

E num passe de mágica surgiu minha primeira música na cabeça “Het Puma”.

Toda a música quase que veio na minha cabeça de uma vez só!

Por que esse nome? Por que eu adorava o carro Puma!




Naquela época, era o carro que eu tinha vontade de ter (hoje não mais! rs). E era o assunto que estava na minha cabeça naquele momento.

Então, por que não criar uma música em “homenagem” ao carro que tanto queria ter?

Mas vir a música à cabeça do jeito que veio não acontece sempre.

Muitas e muitas vezes, precisamos preparar o terreno antes.

E foi assim que fiz com a minha terceira música criada (a minha segunda música foi de outro modo, e foi só uma melodia no piano), onde eu havia criado um tema que eu queria explorar. O tema era sobre criaturas perigosas. Então eu pensei no tema: Castelo dos Assassinos.

E foi esse o nome da música, e do refrão!

E por que esse nome? Por que esse assunto?

Bem, eu era criança! Hahaha     Nesta, eu já tinha 10 anos, e me inspirei no álbum Creatures of the Night (Criaturas da Noite), do KISS.


Isso explica o título e o tema, não?!

E não é muito diferente disso que eu te contei para compor outras músicas: músicas românticas, músicas sérias, músicas de entretenimento, ou qualquer outro tipo.

Por isso a importância de se pensar em algo que você queira transmitir a outra pessoa, em um assunto que você goste.

A música é uma linguagem, e precisa passar algo a alguém, no nosso caso, ao ouvinte.

E você deve passar de duas formas: com o texto e com a melodia/harmonia/ritmo...

Você consegue lembrar de uma música que foi lançada há poucos anos (acho que em 2017) que fala sobre uma traição e que o outro deu a volta por cima ficando com vários “esquemas”? Sabe qual é?


Deixa nos comentários! Uma dica: é cantada por um trio.

Viu como um assunto pode render bastante?!

Agora é contigo.

Pense em um tema, um assunto. Guarde-o na memória ou escreva em um papel e passe para a próxima dica de composição.

2) PENSE NA ESTRUTURA E NA FORMA MUSICAL ANTES


De um modo geral, pensar na estrutura da sua música vai te dar uma Visão Geral dela. E vai facilitar pensar em blocos.

Criar em blocos pode deixar bem mais fácil para você começar a compor.

Mas lembre-se. Cada estilo tem a sua estrutura e a sua forma preferida, ou a mais usada.

Você pode até variar a forma mais utilizada, mas para começar, sugiro seguir a estrutura básica mesma, que é aquela que é mais usada no estilo que você quer compor.

Por exemplo, a forma mais utilizada na música popular cantada é a forma Canção.

Eis um exemplo desta forma:
Introdução – Verso – Verso – Refrão – Verso – Refrão – Transição ou Ponte – Verso - Refrão

Veja se o estilo de música que você quer criar esteja na forma acima, com pequenas variações. Ou se há outra forma que sua música pode se encaixar.

À medida que você for criando sua música, você pode querer uma nova estrutura, ou acrescentar alguma parte, ou até mesmo omitir alguma.

Por isso, a estrutura imaginada inicialmente não precisa ficar engessada.

Você pode, e muitas vezes deve, alterá-la posteriormente. Tudo vai depender das suas soluções.

Agora é com você!

Imagine uma estrutura, e comece a escrever o que você poderá dizer em cada bloco.

Isso vai te ajudar nas próximas etapas.

3) PROCURE OU CRIE PALAVRAS E FRASES SOBRE SEU ASSUNTO


Procure Palavras ou Frases que atendam a dica 1 (sobre o assunto e tema).

Primeiro, escolha as palavras, e, depois, comece a escrever algumas frases utilizando tais palavras.

Por enquanto, não se preocupe com rimas ou o sentido da frase, pois não quer dizer que serão utilizadas na sua música. Estas frases servem apenas de apoio, de ideia, para buscar novas palavras, sinônimos, ou outras frases para a sua música.

Escreva tudo que vier na sua cabeça, sem críticas mesmo.

Não se preocupe com a estética, com a rima, com nada.

Coloque apenas o que vier na sua cabeça em relação ao assunto escolhido por você.

Além disso, pode ser que você descubra um novo tema ou assunto, ao escrever tais frases.

Elas servirão de guia.

Veja se há frases ou palavras que já rimam umas com as outras, e coloque-as ordenadamente.

Nesse momento, você não está buscando a perfeição e nem a estética. Apenas ideias e frases que mais fazem sentido com o que você quer em relação ao assunto.

Lembrando-me de meus momentos de composição iniciais, talvez, nas minhas primeiras 10 músicas que criei, eu ia escrevendo as frases à medida que vinham em minha cabeça. Algumas vinham rapidamente, e outras nem tanto. Mas não seguia essa dica de escrever as frases para depois ajeitar ou achar novas frases. E por isso nem sempre ficavam boas ou do jeito que eu queria.

Porém, em uma de minhas primeiras músicas, eu comecei a escrever frases do que eu queria, tal qual descrevo nessa dica.

E foi assim que surgiu uma música que foi o meu primeiro “sucesso”, naquela época, junto aos meus familiares e amigos. Até que chegou aos ouvidos de uma pessoa que tinha uma banda (eu tinha 10 anos ainda, e isso foi em 83!) e queria gravá-la!!!!

O nome da música é “Estou no mundo do futuro!”.

Novamente, lembre-se que eu tinha de 10 para 11 anos!

E fiz escrevendo frases sobre o assunto que queria tratar: um mundo do futuro caótico.

Foram frases que fui escrevendo aleatoriamente. O que veio na minha cabeça.

Só depois é que fui lapidando elas e fui colocando-as em uma ordem.

Daí foi surgindo minha música, que é mais ou menos assim o início:
“Tochas na escuridão,
Meu coração explode de medo,
Não sei o que fazer,
Tomar cuidado é pouco a coragem poderá atrapalhar o futuro.”
Esse é o primeiro verso da canção.

E antes de colocar nesta ordem, haviam apenas frases soltas no início!

E foi escrevendo essa música que também criei, sem saber, esse método de compor que descrevo neste artigo. E usei em outras composições minhas.

Fazer o refrão da música foi mais fácil, já que era algo mais simples:

“Estou no mundo do futuro,
Yeh! Yeh!
Estou no mundo do futuro,
Yeh! Yeh!”

Simples!

Não precisamos inventar muita moda não!

E posso afirmar que é divertido. E quanto mais você treina, mais você aprende e se aperfeiçoa. Até ao ponto de buscar palavras e construções de frases mais elaboradas.

Agora é sua vez de começar a escrever suas frases aleatoriamente...

4) CRIE POSSÍVEIS METÁFORAS DAS FRASES OU NOVAS FORMAS DE ORAÇÃO

Algumas frases podem ser reconstruídas ou melhoradas em diversas formas.

Escolha as melhores e as mais expressivas das que você escreveu em sua letra.

Opte também por aquelas que formam rimas umas com as outras, ou altere as palavras finais para rimar umas com as outras. (dica extra: procure poesias na internet e veja como elas são construídas, tanto nas rimas, quanto nas métricas e acentuações).

Coloque-as em uma ordem que você consiga ter uma sequência lógica do que você quer contar e que ainda possam rimar umas com as outras.

Com cada frase, você pode ainda reconstruir uma nova frase, ou criar uma metáfora que dê o mesmo sentido. Ou ainda refazer a frase escrita de outra maneira.

Pode mudar algumas frases que são mais triviais por outras, e assim por diante.

Por exemplo, substitua “eu não sei te escutar” por “como eu não pude te ouvir”.

Esta última frase tem um apelo mais emocional, pois, dependendo da sua entoação, pode caracterizar uma certa culpa...

Outro exemplo:

Estou, neste momento que escrevo este post, trabalhando na letra de uma música minha.

Eu já havia feito a música (um Lied: voz soprano com piano), e fiz em cima de uma letra imaginária, achando que poderia depois encontrar um poema, ou uma poesia para encaixá-la.

Só que não achei nada que me agradasse. Então, resolvi fazer a minha letra, depois de tantos anos enferrujado!!!

Comecei a escrever algumas frases e ideias que eu tinha, e uma frase era “vejo-me no espelho e não sei mais quem eu sou”.

Essa é a ideia que quero passar.

Só que na música, eu alterei para esta: “Ao me olhar, depois destes tantos anos, já não me vejo neste espelho”.

Reparou a mudança?

Viu como ela mudou de algo que é muito direto para algo mais subjetivo e impactante?

Reparou que soa mais emotivo?

E, depois, ainda fiz uma pequena alteração para encaixar na minha melodia e na minha métrica.

Então, ela ficou assim: “Ao me olhar, depois destes anos, já não me vejo neste espelho”.

Retirei a palavra “tantos”. A frase continua passando a mesma ideia inicial, e encaixou melhor na melodia e no ritmo que criei.

Faça coisas desse tipo em suas frases.

Separe, mas não descarte, aquelas que menos funcionaram. Elas poderão sugerir novas frases ou novas ideias posteriormente.

5) REPARE NAS PALAVRAS OU FRASES QUE JÁ TRAZEM ALGUMA SONORIDADE

Essa dica é para ser feita praticamente ao mesmo tempo com a dica anterior.

Você pode reparar a sonoridade das palavras ao se pronunciar. Faça uma experimentação: pegue uma palavra aqui do texto qualquer e leia ela em voz alta (não muito alta para não atrapalhar o vizinho!).

Por exemplo, pegue a palavra FAÇA. Repare que a sílaba tônica está na primeira sílaba FA. Você pode soar esta sílaba rapidamente, ou prolongá-la mais que a segunda, como se tivesse falando FAAAAÇAA. Brinque com as sonoridades das palavras. Geralmente, elas já trazem um ritmo dentro de uma frase.

Algumas sílabas já podem te dar dicas de como podem ser cantadas, mais longa ou mais curta, em uma frase. Tente perceber isso. Muitas vezes, você já percebe um certo ritmo e melodia quando você está escrevendo uma frase.

Com o passar do tempo, e experimentando bastante, a brincadeira com o texto já vai se tornando mais natural.

Algumas palavras podem ser utilizadas com um intuito de evidenciar uma cacofonia. E isso pode ser bom em um contexto musical.

O melhor exemplo que posso te dar é uma frase extraída da música de Chico Buarque. Veja:

“Despudorada, dada, à danada agrada andar semi nua, e continua.”
 (Flor da Idade – Chico Buarque). 

É uma cacofonia disfarçada, pois não trás nenhuma outra expressão ou sentido ruim, como “Alma minha”, surgindo “Al-maminha”; ou ainda “Cadê ela?”, “cadela”. Mas o uso da sílaba “DA” na frase do Chico foi muito boa, já que deu sentido rítmico, e foi explorado sabiamente por ele em sua música. Já contou quantas sílabas “da” estão presentes naquela frase? Além da presença da letra “a”...
E isso já vai levando um ritmo musical.

Outro exemplo da mesma música é: “A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia”. Ou ainda: “A roupa suja da cuja se lava no meio da rua”. São exemplos do uso de pequenas modificações para trazer um ritmo, uma métrica, e uma sensação de igualdade nas palavras.

Um exercício para você se aprimorar é fazer o caminho inverso: pegar a frase e reescrever em uma forma mais direta, como estamos acostumados a falar, e perceber o que foi modificado.

Por exemplo, peguemos um dos exemplos e reescrevemos: “A roupa suja dela é lavada no meio da rua”. Viu como você pode mudar de “dela” para “da cuja”, e “é lavada” para “se lava”?

Quanto mais você treinar e analisar as frases de músicas consagradas, melhor será para você assimilar novas técnicas e melhorar suas letras.

É claro, e saiba disso, que se você está começando, não sairá muita coisa tão elaborada, nem, talvez, a sua melhor música. Isso leva tempo e familiaridade com as técnicas.

Perceba que você ainda está buscando um contexto de palavras e frases, e que serão usadas em um contexto sonoro (melodia, ritmo e harmonia).

Agora é com.... você! Já sabia, né? rsrs

6) COMEÇAR COM A MELODIA OU COM A HARMONIA. TANTO FAZ!

Como você prefere? Compor a Melodia ou Harmonia em primeiro lugar?

Tanto faz! Não há um processo único ou exclusivo.

Você pode tanto compor a melodia e depois achar a harmonia da sua melodia, ou criar uma harmonia e achar uma melodia que se encaixe com a harmonia. Ou ainda, usar as duas maneiras.

O que quero dizer é que não há uma maneira correta de se criar uma música.

Existe um processo a ser seguido, usando algumas técnicas e conhecimentos de harmonia, de formas, contraponto, e tantas outras.

Eu mesmo escrevi esse artigo onde falo que não há maneira correta de se compor. Dá uma lida também.

O que escrevo aqui, como dicas, são alguns princípios para você começar a se guiar e sair do zero até conseguir compor suas músicas do jeito que você achar melhor, dentro do seu estilo de compor.

Como aqui estamos falando de uma canção, isto é, uma música com texto (no caso, o texto é o veículo principal, e a música o seu suporte), podemos começar com a composição da letra (como disse nas últimas dicas) e só depois acharmos uma melodia ou harmonia para ela.

É um processo. Um de muitos processos que podemos adotar para compor. É claro que o inverso também vale! E, ao longo de suas futuras composições, muito provavelmente a letra e a melodia irão surgir ao mesmo tempo.

Quando você começou a escrever as frases, pode ser que uma melodia já tenha surgido na sua mente.

Se veio, ótimo, pois você já tem um esboço ou uma semente para sua melodia. Bastando agora achar a harmonia que se encaixa na sua melodia.

Mas se não veio, ou se ainda está em aberto, você pode, como sugestão, tocar uma progressão harmônica qualquer e daí surgir uma melodia. Ou seja, escolha uma progressão harmônica, acordes seguidos de outros acordes, e depois busque uma melodia.

Uma das maneiras que funciona muito bem é colocarmos alguns acordes em sequência para depois criarmos uma melodia.

Com o passar do tempo, seu cérebro já vai se acostumar a pensar ao mesmo tempo na criação da letra junto com uma melodia, ou uma “pré-melodia” (uma melodia bruta para depois ser lapidada).

Ou fazer uma mistura. Por exemplo, no início da sua música você pensou na harmonia, mas no refrão, você achou a melodia primeira, e assim por diante.

Lembre-se, não há uma maneira certa, mas você precisa decidir um caminho e fazer acontecer.

Um caso importante que você precisa fazer, independente do caminho que você escolheu, é verificar a sonoridade das frases e das palavras (dica 5).

Com essa percepção, você já pode perceber uma certa melodia. Faça experiências recitando suas frases, suas palavras, suas rimas. Fale em voz alta e comece a cantar de qualquer maneira. E depois vai lapidando ela.

Só tome cuidado para não criar plágios...

Procure também criar uma sequência harmônica qualquer (veja a próxima dica), e veja se alguma frase poderia se encaixar nessa sequência.

Saiba que é um ciclo, a frase passa uma melodia que leva a uma harmonia, que pode modificar a melodia, que pode então modificar a harmonia... É claro que você precisa barrar esse ciclo quando você achar que sua melodia está bem ao seu gosto!

Isso mesmo. Ela tem que estar ao seu gosto.

Mas antes de você começar a pôr em prática essa dica, leia a seguinte, pois ela irá te guiar mais um pouco na composição.

7) HARMONIA INTERESSANTE!

Cada estilo tem uma progressão de acordes esperadas. Deve-se usar o esperado, mas também podemos introduzir pequenas novidades para sair da mesmice.

Utilize uma progressão harmônica que faça sentido e indique um destino, uma pontuação, e uma cadência.

Não sabe o que é isso? Normal. Sem problemas.

Entenda rapidamente que a música é uma linguagem sonora, e segue quase que as mesmas regras da nossa linguagem falada.

Ela precisa de uma estrutura, de um sentido, de pausas, de respiro, e de uma direção para onde você quer chegar com a sua música.

Em um texto, você não tem as frases, as orações, as conexões das frases, o período, o início do texto (apresentação), o meio do texto, e uma conclusão? Pois é, a música também é assim.

Procure escutar bastante as músicas no estilo que você queira compor e perceba cada parte da música.

Quer uma ajuda para entender o que são as seções das músicas. Segue uma lista abaixo para você entender melhor o que são seções. Assista os vídeos:


O que posso te sugerir mais?

Estude harmonia!

Com esse estudo, você vai entender como os acordes, as progressões, e os meandros sonoros trazem toda esta estrutura, sentido e direção que estou te falando.

Veja minhas aulas ao vivo. Falo muito sobre isso lá!

Procure por um bom curso de harmonia.

Posso até te sugerir o meu. Procure aquele que você mais se adapte e se identifique.

Mas faça um curso decente e com quem SABE FAZER! Não só ensine, mas que também seja um COMPOSITOR é o ideal. E se ele tiver uma boa didática, MELHOR AINDA.

Porém, se você quer fazer algo rapidamente, agora mesmo, de modo intuitivo, ou se está sem ideia, vou te dar algumas dicas e sugestões.

Pegue de 1 a 3 músicas de seu interesse (dentro do estilo que você quer compor) e veja os acordes e a progressão de acordes utilizados. Há sites que se você colocar o nome da música e pedir para ver as cifras, você já vai ter os acordes e suas progressões.

Repare a sequência de acordes. Use-as. Adapte-as para se encaixar na sua música, em suas frases.

A princípio, usar a mesma progressão harmônica não é plágio, mas há uma linha tênue, e para evitar o plágio, você pode alterar a duração e métrica dos acordes, fazer algumas variações, trocar um acorde por outro, mudar o ritmo, usar em um trecho diferente, fazer cortes, ou incluir um novo acorde.

Por exemplo. Peguemos a sequência harmônica de uma música qualquer. A cifra dela é esta:
B – D#m7 - G#m – D#m7 – G#m – B – C# - F#

Agora, eu posso cortar a progressão, e modificar alguma coisa:
B – D#m - G#m – B – C#m - F#7

Retirei alguns acordes, modifiquei outros.

Essa pequena sequência pode encaixar uma frase ou uma estrofe da nossa letra.

É claro que fazer desse jeito nem sempre o resultado é bom. Caberá a nós avaliarmos isso e acharmos uma boa sequência harmônica. Principalmente, que se adapte a nossa música.

Mas podemos fazer dessa maneira só para nos acostumarmos a criar nossas progressões harmônicas.

É só mais uma ideia para introduzir a você maneiras de se compor uma música do zero, e com pouco conhecimento harmônico.

Algumas frases, ou até mesmo palavras da nossa letra, já podem denotar alguns acordes. Por exemplo, palavras de conotação triste ou de decepção, poderíamos usar acordes menores (Dm, Em, Am, ou ainda, Cm, Gm, e muitos outros).

Comece com esses e depois você irá achar outras soluções.

O mais importante agora é você experimentar, e ter uma sensação de que está avançando.

Não procure ser o mais perfeito possível. Só a prática irá te trazer o mais próximo do seu desejo, e a prática é fazer bastante!!!

Agora, é com você!

BÔNUS

Junte TUDO!

Se seguir todas as dicas acima, você terá todos os ingredientes necessários para sua música: você terá uma forma pré-definida; terá frases e palavras soltas a serem usadas em seu texto; terá também algumas rimas já feitas; alguma ideia melódica; uma provável progressão harmônica.

Junte TUDO!

Esse é um processo de construção. Compor é um processo de construção. É como fazer um bolo, você precisa juntar os ingredientes certos...

Tudo é um ciclo. Talvez você precise rever e voltar a refazer algum item acima.

Vá lapidando aos poucos.

Mais uma dica para você lapidar sua música: espere alguns dias para você pegar nela novamente. Algumas vezes, estamos “intoxicados” com a nossa própria música que não reparamos seus possíveis defeitos. Por isso, dar um tempo é muito importante para rever e lapidá-la.

Quanto mais você faz, mais você entenderá como é o processo de criação. E assim, mais fácil e fluente será fazer sua próxima música.

Não procure fazer de primeira sua música magistral, a de maior sucesso. Nem mesmo os maiores compositores da humanidade não conseguiram esse feito! Para a maioria, levou anos e anos para se conseguir fazer sua música de MAIOR SUCESSO! Sua verdadeira ARTE!

Então, não se cobre muito. Apenas faça!

E, principalmente, ache sua própria forma de compor!

Ah... ainda quer mais dicas matadoras para se diferenciar dos demais e sair da mesmice?

Atente-se para essas dicas:
  • Procure usar uma sequência harmônica pouco usual em alguns momentos da música;
  • Utilize alguns ritmos pouco usuais em algum momento da sua música, não em toda ela, mas em pequenos trechos específicos;
  • Peça ao cantor para que mude a entonação ao cantar certas frases;
  • Dê pausas em alguns instrumentos. Você não precisa utilizar todos os instrumentos e nem fazê-los soar sempre. Às vezes, menos é MUITO MAIS;
  • Descubra como você pode diferenciar alguns timbres sonoros.

Usando algumas dessas dicas acima, certamente sua música será percebida por mais pessoas, e, quem sabe, pode surgir o próximo hit do verão!

Aliás, quero que você pense além do hit de verão. Quero que você pense que sua música pode ser eterna! Que seja uma música desejada para o máximo de tempo possível, tal como os clássicos, onde seus autores nunca morrerão...

E, certamente, aprenda e analise o máximo que puder.

Quando aprendemos técnicas e teorias musicais, tudo fica mais fácil e mais do jeito que deve ser.

Não caia no papo de que a teoria engessa o nosso livre pensamento: só pensa assim quem realmente nunca experimentou o pensamento livre de criar uma música já sabendo as técnicas.

Se você não aprender as técnicas, você estará limitado ao seu conhecimento “limitado” e ao seu pensamento intuitivo.

Aprendendo as técnicas e teorias (não há segredos!), você irá mais longe! É simples assim.

APRENDA TEORIA MUSICAL O QUANTO ANTES!

Para isso, procure por professores particulares ou cursos que você possa confiar. Infelizmente, há vários no mercado que só ensinam o básico e o trivial, e, além disso, o que é pior, não entendem o porquê das coisas serem do jeito que são. Ficam apenas repetindo o que aprenderam, se é que aprenderam o correto.

Não se contente em aprender com apenas atalhos. Seja mais do que isso e se torne aquilo que você PODE E DEVE SER!!!!

Quero poder ensinar a todos o que eu sei! Assim, teremos mais músicos e compositores muito mais capacitados e preparados para criar MÚSICAS DE ALTO NÍVEL E VALOR. Dependerá apenas da criatividade individual, e não mais de uma limitação de conhecimento...

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