Essa é uma forma errada de se compor música?



Uma postagem feita por um jovem, em um fórum de internet sobre música, me fez respondê-lo de uma forma que não houvesse mais dúvidas em como se compõem uma música.

Tal resposta não serve apenas a ele, mas a todos que queiram, ou já começaram, a compor música (clássica ou popular).



Não se trata de uma resposta leviana (o que alguns poderiam pensar), e nem uma resposta simplória, por mais óbvio que pareça.

O que acontece com muitos que estão começando a compor música é tirar o temor pessoal de criação, ou o achismo de que existe uma fórmula a ser seguida pelos compositores.

Não.... Não há fórmula para se compor, nem uma maneira correta de se compor. E nem uma maneira errada. Compor é a ação em se criar algo, no caso aqui o algo é a música!

O jovem em questão deu um exemplo em utilizar uma música existente para se criar outra "por cima", e nos questionou se isso é correto de se fazer?

Claro, que estou interpretando que ele vai apenas usar a outra música como "inspiração", ou de forma para sua nova música, e não utilizar os elementos da outra música, o que poderia ser considerado, dependendo do caso, um plágio.


Veja minha resposta, com grifos editados aqui:


"Não existe forma errada de compor. Componha da sua maneira. Só não copie. Pode tentar imitar, mas não copiar!
  1. - Quer usar uma música como inspiração?.... OK!
  2. - Quer jogar notas aleatórias na partitura?..... OK!
  3. - Quer escolher acordes e depois criar uma melodia ou as partes do baixo? ... OK! Sem problemas!!!
  4. - Quer pegar um motivo de alguém ou de alguma composição e depois desenvolver da sua maneira?.... Td Bem!!!! OK!
  5. - Quer compor sua música em cima de outra, mas sem copiar? .... OK! OK!
  6. - Quer compor começando cantando uma melodia e depois achando os acordes e as outras vozes (instrumentos)? .... SIM! Sem problemas! OK!!!!!
  7. - Quer compor usando apenas sua intuição e sem estudos? .... OK! Claro que sim!
  8. - Quer compor retalhando/colando outras músicas e criando uma nova? ... hmmm.... hmmm... bem.... Até tá....com ressalvas... mas OK! Se não for cópia pura!

Compor é criar algo que ainda não existe! Então, q.q. maneira escolhida e utilizada por você, de forma consciente ou inconsciente, que faça aparecer algo que ainda não exista é uma composição, no conceito estrito da palavra.

Agora, se sua composição será boa (técnicamente/artisticamente/virtuosisticamente/audivelmente/sonoramente/orquestralmente/q.q.coisalmente...) já é outra questão!!!

O que posso dizer:

  • estudando técnicas musicais e de composição aumentarão suas chances de acerto;
  • comece de qualquer maneira suas primeiras composições, mas comece... Com o tempo você irá perceber qual sua melhor maneira de criação sonora;
  • não acredite que suas primeiras composições irão sair uma obra prima! Nem mesmo Mozart sozinho teria conseguido isso;
  • somente com esforço, sabedoria e experiência é que se consegue algo acima da média;
  • não queira os atalhos ou as dicas "quentes" musicais. Aprenda os porquês das coisas!
  • sobretudo.... escute, escute e escute!!! Somente as análises musicais (qto mais aprofundadas tecnicamente melhor) vão trazer para você uma bagagem cultural e diversificada, colocando para você uma gama maior de possibilidades e uso em suas futuras composições! Não se contente em compor com apenas 2 cores se você tem a sua disposição milhares e milhares de cores e formas de pinceladas!

Bem... é isso.... Não sei se esgotei tudo o que poderia dizer. Mas serve a você e a todos os próximos leitores que querem tornar-se compositores: eruditos/clássicos; rockeiros/metaleiros; MPBs; funkeiros (como gostaria se assim fosse); góspeis; jazzistas; technos; etc. e etc.... ;-)
"


O interessante foi o debate após minha postagem, pois houve um entendimento sobre minha citação "somente com esforço, sabedoria e experiência é que se consegue algo acima da média;".

Um dos leitores questionou tal colocação ao comentar que uma pessoa com criatividade criaria facilmente (sem esforço) uma música acima da média, e que o mesmo não precisaria de experiência já que ele teria a sabedoria inata em sua mente para criar uma música.

Na minha opinião, ele se equivocou ao tentar colocar esforço como algo difícil ou duro de se realizar.

E considerar também que não precisaríamos de sabedoria, muito menos de experiência, para se criar música acima da média, se o compositor tem o talento nato, ou o "dom" da música. E isso valeria para qualquer arte: pintura, desenhos, cênicas, etc...

Resumindo aqui, meu contra argumento é que esforço não é algo duro ou difícil de se realizar, até porque quanto mais aprendemos e experimentamos, mais fácil aquele trabalho se torna.

Além disso, meu post foi para todos que queiram aprender a compor, e não a alguma exceção a regra.

Mas... pera aí.... como exceção????

Vejamos os dois casos mais populares de compositores: Mozart e Beethoven.

Mozart é considerado um menino prodígio, e Beethoven um mostro da composição. Mas ambos estudaram muito!!!

E só conseguiram compor suas melhores músicas após um longo tempo compondo, ou melhor, experimentando!!!

  • Mozart compôs sua primeira música aos 5 anos. É um talento? Claro!!! Mas teve ajuda de seu pai (músico e compositor) que lhe ensinou técnicas de composição, deu várias orientações, e muito que provavelmente o corrigiu! Se olhar suas partituras originais quase não há correções... mas sabe o que ele fazia? Ele ficava horas e horas em seu piano testando e testando suas ideias... Ah... e teve aulas em sua juventude com outros compositores, inclusive um dos filhos de Bach. Além dele analisar, sempre que possível, partituras e partituras de outros compositores. Muitas de suas primeiras músicas se baseavam em melodias, temas, ou motivos de outros compositores, o que era muito comum na época, sem ser considerado plágio.

  • Beethoven é um gênio de fato, e que estudou também muitas técnicas, desde cedo... Mas, infelizmente, não teve um pai com estabilidade emocional para ensiná-lo tudo que precisava, ao contrário de Mozart. Mas também teve aulas com vários outros compositores da época. E também estudou/analisou diversas obras de compositores anteriores, como de Mozart (sua grande influência)! Se olharmos suas partituras, também ao contrário de Mozart, haviam rabiscos e rabiscos tentando achar as melhores soluções.

Ou seja, há esforço sim, tanto de Mozart quanto de Beethoven, em construir suas músicas muito acima da média (não só a média das músicas sendo feitas por outros compositores, mas também considerando suas próprias composições), além de muita experimentação.

A sabedoria veio tanto do estudo quanto das suas experiências... entre acertos e erros.




Mas, voltando ao título desse post. Há uma forma Certa ou Errada de se compor?

NÃO!!!!!


Crie, experimente, teste, e verifique a melhor forma que se adequa a você, jovem compositor. Não tema em errar! Tema em não tentar! Mais do que nunca, estude técnicas, mesmo que passadas, ou ultrapassadas, analise músicas de outros compositores. E, se possível, mantenha contato com alguém que saiba mais do que você para tirar dúvidas.


E você? Qual sua opinião? Qual seu anseio? Já compôs sua música hoje?
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2 comentários :

  1. Eu nunca estudei sobre música so
    u pintor de casa mas me endentifico com que VC falou não tenho problemas de fazer músicas ,sim em mandar elas pra alguém as pessoas nem Sabe que componho aí fico deixando pra lá dizendo que é besteira mais no fundo sinto que é isso que vim fazer aquir expressar minhas emoções através da música ainda sou um compositor anônimo mais quem sabe se alguém poder me ajudar agradesso .

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  2. Olá Francisco!

    Não espere alguém te ajudar. Você é quem tem que se ajudar!

    Se você não mostrar a alguém suas músicas, você não saberá se teria um público para elas (suas músicas), e nunca teria oportunidades de ter músicos para gravá-las.

    Se você já pinta uma casa, você já está se expondo com seu trabalho de pintura a alguém, e provavelmente já recebe por isso. Então, dê um passo a frente: mostre suas músicas a alguém do seu círculo de amizades, e principalmente a alguém que possa ser crítico o suficiente para dar alguns toques no que vc pode melhorar, e faça isso de graça!

    Essa questão dá um belo post aqui no blog. Vou pensar mais sobre isso. ok?!

    abraços,
    Carlos Correia

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